segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Como começar a ler os clássicos #1

Oi pessoas, como vocês estão???

Bom, quem me acompanha aqui no blog sabe que eu adoro ler os clássicos e sempre trago resenhas aqui pro blog, mas muitas pessoas me dizem que não gostam de ler os clássicos por causa da linguagem difícil, porque são massantes etc, etc. Então eu, como uma boa amantes dos clássicos precisei fazer uma listinha com dicas de livros que eu já li e que me fizeram me apaixonar mais e mais por eles.

P.S: Os livros não vão estar ordenados por preferência, vão estar listados aleatoriamente.




  1. O médico e o monstro - Robert Louis Stevenson: esse talvez tenta sido o primeiro clássico que eu já li na vida (além dos contos de fadas é claro). Na época eu lia tudo o que me davam. Eu só queria ler. Eu "lia" até os livros em inglês da minha prima mesmo não entendendo nada kkk Passava horas lendo dicionários! Então uma amiga da minha mãe emprestou uns livros pra ela, (como se minha mãe lesse alguma coisa kkk. Mentira, eu até tenho conseguido fazê-la ler algumas coisas rsrs), dentre os livros, estava uma edição de O médico e o monstro. Fui sem pretensão e adorei! A linguagem é simples, o livro tem um suspense muito gostoso e é uma história curta, possibilitando uma leitura rápida. Há alguns meses eu reli e fiz uma resenha aqui pro blog. Resenha: O médico e o monstro . 
  2. Frankenstein - Mary Shelley: Li este livro este ano e foi espetacular! Possui uma linguagem belíssima e, não, não é difícil de entender. Amei a forma com que a criatura de Victor Frankenstein foi retratada, ora com grande humanidade ora como um monstro apático. Também tem resenha aqui no blog! Resenha: Frankenstein . 
  3. A Moreninha - Joaquim Manuel de Macedo: Me lembro que na escola minha professora indicou essa leitura. Não era obrigatória mas iria ter uma prova relacionada, então seria bom ler. Eu bati o pé e não li. Não me pareceu que seria uma boa leitura na época. Mas o ano passado eu ganhei o livro e decidi ler. E me surpreendi bastante. A forma com que a história ia se desenvolvendo foi me prendendo cada vez mais, e rapidinho terminei o livro.
  4. Sherlock Holmes - Arthur Conan Doyle: Eu não poderia deixar de falar sobre esse clássico dos romances policiais. Já virou figurinha repetida minha paixão pelos personagens criados por Doyle, mas vou repetir mais uma vez: Leiam Sherlock Holmes! Recomendo toda a obra relacionada a ele. Post sobre Sherlock Holmes: 9 motivos para ler e amar Sherlock Holmes . 
  5. O retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde: Esse foi com certeza o melhor livro que li esse ano!  A escrita de Wilde é fascinante. Quando eu percebi eu já tinha terminado o livro e já queria recomeçar novamente. Incrível! Também tem resenha. Recomendo que vocês leiam para entender pelo menos a pontinha o iceberg do meu amor por esse livro. Resenha: O retrato de Dorian Gray . 
  6. O Morro dos Ventos Uivantes - Emily Brontë: Também entrou para minha lista de favoritos da vida. Com uma escrita eloquente e assustadora, esse livro me elevou ao êxtase. Super recomendo! Resenha: O Morro dos Ventos Uivantes .

Se vocês gostarem desse post posso fazer outros desse tipo!
Espero que vocês se joguem nos clássicos ;-)

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Lolita - Vladimir Nabokov

Resenha por: Vitória Bueno
Nota: 10,0 - 10,0
Livro: Lolita
Autor: Vladimir Nabokov
Número de páginas: 320
Editora: Folha de S. Paulo



Resenha: Vamos lá, começar com as polêmicas kkkk
Já faz um tempinho desde que terminei de ler esse livro, mas não tinha certeza se seria uma boa ideia trazer a resenha, primeiro porque já há muitas resenhas incríveis sobre esse livro aqui na internet e segundo porque esse é um livro que divide muitas opiniões. Mas aqui estou eu. Vamos falar um pouquinho sobre Lolita.

Eu queria lê-lo desde que vi o filme, já há alguns anos. E quando ele finalmente veio parar nas minhas mãos eu fiquei bem animada.

Para quem não sabe nada desse livro, vou fazer uma breve sinopse dele para vocês.
Lolita conta a história de Humbert Humbert, um homem que no momento em que se passa a história, está preso e o leitor não sabe o motivo. É ele quem narra a história o tempo todo. Ele começa falando sobre sua infância e em como se deu sua primeira frustração romântica: Annabel seu primeiro amor, morreu de tifo e ele nunca conseguiu esquecê-la.
Após algumas poucas histórias sobre seu passado, ele conta para o leitor que só se interessa de verdade por meninas de até no máximo 14 anos.
Após se divorciar (sim, ele teve uma mulher, antes de conhecer Lolita, e de certa forma, o casamento o ajudava a esconder seu segredo), Humbert vai para os EUA cuidar dos negócios de um tio que acabara de morrer. Dentre as aventuras de Humbert dentre os americanos, ele acaba parando na casa de Charlotte Haze, uma viúva e mãe solteira. Humbert não gosta nem um pouco da ideia de alugar um quarto de Haze, mas tudo muda em um instante quando ele conhece a filha da mulher: Lolita, uma garota de 12 anos, que o lembra imediatamente de sua amada Annabel.
O personagem logo se encanta pela menina e suas ideias de ir embora daquela casa somem em um instante.

Bom, primeiramente quero falar sobre o narrador de Lolita: Humbert Humbert. Como ele é nosso personagem principal e obviamente está tentando convencer o leitor sobre seu ponto de vista da história toda, ele NÃO é confiável. Ele é doente. Um pedófilo. E acredita de verdade que ama Lolita. E ele vai tentar convencer o leitor disso o tempo todo. Contextualizando aqui que ele está na cadeia e que está escrevendo sua história para o juri. Está tentando convencer um juri!
Ai entramos na escrita. Esse livro é maravilhosamente bem escrito. Quem dizer o contrário é meio doido da cabeça (brincadeira kk cada um com suas opiniões né...). Mas sério, a linguagem usada para narrar todo o livro é incrível, poética. O próprio personagem estudou literatura inglesa, o que mostra que ele tinha domínio da linguagem poética. E essa escrita de Nabokov, é o que pode fazer leitor pender para o lado de Humbert.

"Lolita, luz de minha vida, labareda de minha carne. Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boa para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes. Lo. Li. Ta.
Pela manhã ela era Lô, não mais que Lô, com seu metro e quarenta e sete de altura e calçando uma única meia soquete. Era Lola ao vestir os jeans desbotados. Era Dolly na escola. Era Dolores sobre a linha pontilhada. Mas em meus braços sempre foi Lolita."

Humbert descreve Lolita como uma ninfeta provocadora, esperta e um tanto levada. Em certo momento da história, Lolita lhe conta como perdera sua virgindade. O nosso narrador chega a lamentar, que no final, ele nem havia sido seu primeiro amante. Por esses momentos, vemos que Lolita não era a garota mais santa da história.
Lembrando que não estou justificando nada aqui, ein pessoas! Humbert era um doente. E os atos dele não são amenizados por causa das inconsequências da garota.
A propósito, o narrador fala sobre situações muito bizarras, que realmente podem incomodar o leitor. Mas se você por acaso teme ler esse livro por achar que é um livro erótico, sobre um homem de meia idade e uma garotinha, relaxe, pois nele não é descrito cenas de sexo.

Bom, eu gostei muito dessa leitura e acho que sim, é interessante ler esse livro. Há diversos aspectos que um leitor pode levar em conta aqui. Eu por exemplo li esse livro pensando muito no foco narrativo. Esse narrador não confiável muito me interessa. Além disso, eu também fiquei de olho na forma com que o autor decidiu contar essa história. É uma história dentro de uma história, e acho que isso fez com que o livro ficasse ainda mais instigante. A personagem vai e volta no tempo e só revela os fatos que acha relevantes e no momento que acha relevante. Mas eu também reparei muito nas intenções que moviam a personagem. Eu quis entender sua cabeça o tempo todo. A cabeça de um pedófilo.
Sim, essa leitura pode incomodar em alguns momentos. O leitor precisa estar preparado. A história do livro não é bonita, mas a escrita de Nabokov, é, e acho isso muitíssimo válido para qualquer leitor que queira conhecer um pouco de tudo da nossa literatura mundial.
A propósito, o livro vai "esticando a corda da tensão" até o ápice. O leitor quer saber a todo custo qual é o motivo de Humbert estar na cadeia e o que houve com Lolita. E só nas últimas páginas o leitor descobre.

Enfim, livro super recomendado!!!

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Madame Bovary - Gustave Flaubert

Resenha por: Vitória Bueno
Nota: 10,0 - 10,0
Livro: Madame Bovary
Autor: Gustave Flaubert
Número de páginas: 304
Editora: Nova Fronteira






Resenha: Madame Bovary conta a história de Emma, uma mulher que estudou durante muito tempo em um convento e era uma estudante aplicada e religiosa, até se apaixonar pelos romances que lia e desejar vivê-los.
Ela então se casa com Charles Bovary, imaginando que seu casamento vai ser como nos livros. Mas Emma logo percebe que não é possível na vida real, viver como ela sonhara, e se arrepende amargamente do casamento. Charles não é ardente e apaixonado, ele trabalha muito, dá a ela uma vida calma e confortável, mas nada extravagante, além disso, não lhe dá aventuras, que é o que ela mais deseja.
Ela então conhece Rodolphe, um homem sedutor que promete revirar sua vida. Ele a deseja ardentemente e após momentos de negação, eles se tornam amantes. A vida de Emma fica mais agitada, porém essa agitação acaba sendo o começo de sua ruína.

O desenrolar dos fatos é impressionante. As personagens são um ponto muito forte da trama, já que em cada uma delas é refletida alguma crítica que o autor quis passar.
Charles beira o ridículo, não é bom nem mesmo no trabalho que faz. Emma consegue ser ora odiada ora amada pelo leitor (às vezes as duas coisas ao mesmo tempo!). Além disso temos M. Homais, um farmacêutico ganancioso que acompanha as personagens principais na maior parte da história. Há muitos outros personagens que são importantes na trama, mas citarei esses, apenas.

Agora falando mais sobre certos detalhes importantes do livro, acho interessante informar que esse romance é dividido por três partes. A primeira conta a história de Charles Bovary, que é um médico ingênuo e inseguro, que tem uma vida familiar instável. Cuidando de um senhor que havia quebrado uma perna, Charles conhece a filha do velho, Emma e logo se apaixona por ela. Tempos depois eles se casam. Na segunda parte, Emma já está casada e infeliz. A terceira parte conta minuciosamente como se deu a ruína de Madame Bovary e consequentemente a de Charles e da filha única deles.

Além disso, uma coisa muito importante nesse livro é o modo como ele é narrado. O autor utiliza muito do fluxo de consciência para narrar a história de Emma. Para quem não conhece, esse método se dá quando o narrador adentra na mente da personagem, mostrando o que ela está pensando. Flaubert faz isso muito bem nesse livro e, em muitos momentos o leitor precisa prestar muita atenção na leitura para conseguir distinguir o narrador da personagem.

Por falar em Gustave Flaubert, ele foi um escritor francês que marcou a literatura francesa pelas suas críticas sociais, pelas análises psicológicas e pelo seu estilo diferenciado de escrever. Em Madame Bovary, um texto realista carregado de críticas do início ao fim, com uma pequena (pequena?) ênfase na estupidez humana, ele ridiculariza a burguesia francesa de sua época. Por causa desse romance o autor chegou a ser processado por ofensa à moral. De qualquer forma, Flaubert hoje é considerando um dos precursores do romance realista e seu livro é lido, estudado e apreciado por milhares de pessoas em todo o mundo.

"Emma Bovary c'est moi" - Gustave Flaubert
(Emma Bovary sou eu) 


Eu particularmente adorei ler esse livro. Foi uma leitura para a faculdade mas ela já estava na minha wishlist a tempos. Então eu amei a ideia de encarar essa história. Foi uma leitura bem agradável e rápida até.
Recomendo fortemente para quem quer ler um livro:
  1. Polêmico.
  2. Que brinca tão deliciosamente com o fluxo de consciência.
  3. Que critica descaradamente a sociedade francesa do século XIX.